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Marcela Reinhardt

18/07/2008 GMT -3

Nada te alcançaria

marcelareinhardt @ 05:41

Nem que eu quisesse.

Nada paga por uma noite assim
Poder dormir no meio dos teus braços
Poder dormir após te beijar
E acordar sentindo ainda teu calor
E todos os beijos que tu podes dar

Nada supera a sensação de harmonia
Que em dias turbulentos apenas tu me trazes

Nada se parece com o teu sorriso de manhã
Nem que eu pudesse dominar o mundo
Eu veria algo parecido na natureza

Nada pode explicar o quanto eu gosto
De apenas sentir os teus dedos entrelaçando os meus

O carinho que eu sinto perto de ti
Não pode ser comprado nem por todo o dinheiro do mundo
Não pode ser encontrado em nenhum outro corpo

A sedução destes dias não pode ser apagada
Nem por uma pobre memória
A calma e a vontade de estar ao teu lado
Apenas pedaço do que eu posso dizer
Que sinto quando te vejo

Nada explica isso
Nunca explicou
Nada explica erros e acertos
Não sei onde acerto, mas estar contigo agora
É a melhor coisa que eu poderia ter escolhido
Fugir do mundo nos teus braços me deixa mais forte
Pra encarar o mundo ao me afastar deles

Nada compraria isso
Nada substituiria isso à altura

Nem que eu quisesse.

Marcela Reinhardt
Pelotas, 18 de julho de 2008.

03/06/2008 GMT -3

O Sonho

marcelareinhardt @ 01:36

Contando segundos e estrelas
Dorme como uma fada
Veste seu corpo do mais puro tecido
Abre os olhos no primeiro minuto da luz
Não pode perder o tempo correr
Não quer perder de ver a última estrela dormir
Mas dormiu antes de acordar
Enquanto as pálpebras estavam pesadas
Teve sonhos
Sonhou com um dia de céu verde
E árvores azuis
Sonhou com o orvalho castanho
Sonhou com borboletas a atacando
Sem chance de vencer
Acordou sem sentir suas pernas
Despertou pro dia comum
E perdeu o deitar da lua
Despertou com o brilho do sol
Maltratando sua retina
Nenhuma nuvem a salvá-la
Guardava no peito o que só seu coração suportara.
Canta versos estranhos
Navega sem um barco pelo rio
E não faz diferença
Pois chegará ao mesmo ponto de onde saiu.
Em alguns segundos
Sem sentir seu corpo foi devorado
Pelas formigas que dormiam junto
Ao seu belo e leve corpo
Não há porque voltar
Decidiu fechar os olhos e esperar
A primeira estrela acordar
Para então voltar a sonhar.
E sonhou ser uma princesa
No meio do deserto
E viu seu castelo como resto
De glória, de vida
Em um segundo as formigas transformaram-se
Em grãos de areia que sujam sua pele
Não restava nada se não deitar
E esperar a sede matar
Ao cair sentiu seu joelho bater forte
E não doer, talvez não doesse a morte também
Fechou os olhos e despertou
Sentindo pingos de chuva em sua face
Apenas abre a boca e bebe tudo o que der
Não morrerá mais de sede
E também não está mais no deserto
Está no meio de uma chuva que não é chuva
E ao seu redor ao longe vê luzes de postes
De cidade
Não vê as estrelas e nem sente o sol
É madrugada
O silêncio do deserto se transformou em gritos
Mas seu corpo ainda é
Apenas ilusão
Instrumento velho usado e jogado fora
Não é mais parte daquilo
Não é mais fada, nem bela
É estúpida velha a morrer no meio da rua.
Entre presente, passado e futuro
Perdeu-se
Entre sonho, imaginação e delírio
Perdeu-se ao tentar lembrar o que era real
E já nem fazia diferença
Já não estava mais aqui
Voou, agora sim,
Como uma fada
E sonhou como nunca antes
Flutuou sob as estrelas.
Aquele corpo gasto já não era mais seu
Agora era mais que antes
Era o universo todo
Era tudo o que existia
E não mais limite físico

Marcela Reinhardt
Pelotas, 3 de junho de 2008.

27/05/2008 GMT -3

Neste Instante

marcelareinhardt @ 14:54

Sentei-me lentamente na areia
Fiz os grãos se espalharem
Deixei os pés descalços
E esperei as ondas me alcançarem

O vento tratou de desarrumar meus cabelos
E a água fria de leve tocou meus pés
Quando a grande nuvem aproximou-se
Senti os pingos de chuva em meus lábios

Neste instante senti saudade
E desejei trocar
A areia por seu corpo

O vento por suas mãos
O mar por seus pés
E a chuva por seus lábios

Marcela Reinhardt

23/05/2008 GMT -3

23 de maio

marcelareinhardt @ 02:15

Besteira não posso ser, apenas me sinto em um barco incerto... Com os braços fortes a remar, mas sem certeza quanto à direção a seguir.
Desconheço o barco que lido, nem sei até onde quero ir, não é fácil viver.
Ninguém me disse que seria, mas apenas queria que fosse tudo sempre claro e simples.
Não é.
E o que fazer então?
Desistir jamais, já passou meu tempo de pensar em desistir, estou longe demais na vida para deixá-la para trás. Agora só me resta seguir até o final.
Às vezes me reconheço no espelho, e lembro de mim correndo perdida no mundo louco que eu estava descobrindo. Agora já descobri e me surpreendo do quanto difícil está sendo acreditar quando descrente me mostrei.
Há passos simples como eu quero e outros que eu nem enxergo direito e quando percebo já me levaram a algum lugar, muitas vezes não escolhido.
Pelo menos posso dizer que estou aonde eu queria estar agora.

07/05/2008 GMT -3

mais uma

marcelareinhardt @ 01:51

Somos mendigos
Somos mães, filhos, pais e avós
Que já não sabem amar.
Somos pássaros que perderam suas asas
E o tempo não ajuda, não.
Somos o vento frio que corta
Não somos o calor que une.
Somos os degraus que só descemos
Porque não sabemos mais subir.
Somos manhãs, tardes e noites
Onde o amor não está.
Somos o horizonte que ninguém alcançará.
Somos o ódio escondido em gargalhadas.
Somos vinho que mancha toda a falsa magia.
Não somos magos, nem estrelas
Nem ao morrer seremos.
Não somos sinceridade nem criatividade
Não somos arte nem beleza.
Somos o mundo
Somos tudo o que não queremos ver
E nos deitamos pra esconder.

Marcela
26/04/2007.

04/05/2008 GMT -3

Sentidos

marcelareinhardt @ 04:58

Por onde andam os meus sentidos?
Meu paladar está estranho
Só amargo reconheço;
Meus olhos embaçados
Me fazem ser tão frágil;
Meu nariz não te percebe,
Ele não sente o que os outros sentem;
O que eu ouço é tão estranho
Apenas palavras desconexas
E o toque é só o que me sobra.
Nele eu me escoro,
Me faz ver o mundo.
Lembro bem do toque
E não esqueço do quanto era
Pele macia
O quanto foi curto o tempo
E como eu te senti.
Não lembro do seu rosto, seu cheiro,
Seu gosto, seu som, mas lembro bem do seu toque.
Não esqueço.
Fecho os olhos e amanheço em seus braços
Nenhuma lágrima caiu por você
Mas meu peito já doeu.

Marcela Reinhardt

26/04/2008 GMT -3

O tempo

marcelareinhardt @ 17:59

"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará."

Mário Quintana

14/04/2008 GMT -3

THE DOORS - PORTO ALEGRE/2008 - EU FUUUIII

marcelareinhardt @ 01:09

show-doors-poa-36.jpgAAAAAAAAAAAAAAA
Por enquanto não consigo dizer muito além de AAAAAAAAAAAAAAAA
Cara, o Doors!!! Eu nunca sonhei ver o Ray e o Robby,ali há poucos metros de mim tocando músicas do Doors! Cara.. o que eu posso dizer???

...aaaAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaa...

FOTOS EM MINHAS IMAGENS!!!! (o ícone está lá embaixo a direita)

perfil do orkut : http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=7282722246676895819

28/01/2008 GMT -3

Ano 2008

marcelareinhardt @ 01:37

E o ano mudou... mudaram os números que contamos... mudaram as datas... os beijos, os abraços voltaram...
o sete virou oito... o um virará dois em abril... e em abril teremos outono... e folhas caindo... teremos o que ninguém ainda sabe... mas todos têm planos para dezembro...

15/11/2007 GMT -3

post

marcelareinhardt @ 14:33

La Nuova Gioventú
Legião Urbana

Tudo que sei
É que você quis partir
Eu quis partir você
Tirar você de mim
Demorei para esquecer
Demorei para encontrar
Um lugar onde você não me machucasse mais
E aguardei um pouco
Por que o tempo é mercúrio cromo

Meu relógio gira de dois em dois minutos

Amanhece, e o tempo não muda
Só clareia a minha noite
E começa a minha rotina

Mais um dia ao meio-dia eu acordei
Perdi a hora ontem a noite
E acordei com o som das panelas
Dormi ao som dos pássaros
Que livremente declamam seus poemas
Felizes voam com seus amigos,
Filhos e parentes

Os amores se acompanham
E dormem juntos em noites de chuva
Vêem filmes românticos e se beijam no final

Os amigos comem pizza em dias de festa
E bebem para sorrir
E sorriem para não chorar quando é dia triste

Hoje acordei com uma ressaca
De quem muito foi fundo na dor
E se perdeu
Todos me perguntaram se estava doente
Doente de amor, de saudade
Passei a noite me procurando no escuro
Disfarçando a noite com sons e cores

Marcela
Pelotas, 13 de novembro de 2007.

Tu sabes quem tu és?
Tu és aquele que me faz acordar feliz
Só por saber que hoje é dia te ver
Tu és aquele que me faz sorrir
Nos dias mais difíceis
Aquele que faz com que eu
Esqueça os meus males
Aquele que abafa minha TPM
Com simples beijos sinceros

Tu sabes quem tu és?
Tu és aquele que me ajuda a andar
Nas tristes noites escuras
Tu és aquele que aquece
Não só meu corpo, como todo meu ser
Aquele que mesmo distante
Faz escapar de meus lábios sorrisos puros
Aquele que me traz felicidade
Mesmo sem perceber.

Marcela
01/07/2007

Tom Jobim - Retrato em Branco e Preto

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho,
E sei também que ali sozinho,
Eu vou ficar tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto, E que no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos,
Que num álbum de retratos,
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo,
Procurar o desconsolo,
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras,
Versos, cartas, minha cara,
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado,
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado,
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto,
A maltratar meu coração

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