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Marcela Reinhardt

Arquivo: Maio 2008

27/05/2008 GMT -3

Neste Instante

marcelareinhardt @ 14:54

Sentei-me lentamente na areia
Fiz os grãos se espalharem
Deixei os pés descalços
E esperei as ondas me alcançarem

O vento tratou de desarrumar meus cabelos
E a água fria de leve tocou meus pés
Quando a grande nuvem aproximou-se
Senti os pingos de chuva em meus lábios

Neste instante senti saudade
E desejei trocar
A areia por seu corpo

O vento por suas mãos
O mar por seus pés
E a chuva por seus lábios

Marcela Reinhardt

23/05/2008 GMT -3

23 de maio

marcelareinhardt @ 02:15

Besteira não posso ser, apenas me sinto em um barco incerto... Com os braços fortes a remar, mas sem certeza quanto à direção a seguir.
Desconheço o barco que lido, nem sei até onde quero ir, não é fácil viver.
Ninguém me disse que seria, mas apenas queria que fosse tudo sempre claro e simples.
Não é.
E o que fazer então?
Desistir jamais, já passou meu tempo de pensar em desistir, estou longe demais na vida para deixá-la para trás. Agora só me resta seguir até o final.
Às vezes me reconheço no espelho, e lembro de mim correndo perdida no mundo louco que eu estava descobrindo. Agora já descobri e me surpreendo do quanto difícil está sendo acreditar quando descrente me mostrei.
Há passos simples como eu quero e outros que eu nem enxergo direito e quando percebo já me levaram a algum lugar, muitas vezes não escolhido.
Pelo menos posso dizer que estou aonde eu queria estar agora.

07/05/2008 GMT -3

mais uma

marcelareinhardt @ 01:51

Somos mendigos
Somos mães, filhos, pais e avós
Que já não sabem amar.
Somos pássaros que perderam suas asas
E o tempo não ajuda, não.
Somos o vento frio que corta
Não somos o calor que une.
Somos os degraus que só descemos
Porque não sabemos mais subir.
Somos manhãs, tardes e noites
Onde o amor não está.
Somos o horizonte que ninguém alcançará.
Somos o ódio escondido em gargalhadas.
Somos vinho que mancha toda a falsa magia.
Não somos magos, nem estrelas
Nem ao morrer seremos.
Não somos sinceridade nem criatividade
Não somos arte nem beleza.
Somos o mundo
Somos tudo o que não queremos ver
E nos deitamos pra esconder.

Marcela
26/04/2007.

04/05/2008 GMT -3

Sentidos

marcelareinhardt @ 04:58

Por onde andam os meus sentidos?
Meu paladar está estranho
Só amargo reconheço;
Meus olhos embaçados
Me fazem ser tão frágil;
Meu nariz não te percebe,
Ele não sente o que os outros sentem;
O que eu ouço é tão estranho
Apenas palavras desconexas
E o toque é só o que me sobra.
Nele eu me escoro,
Me faz ver o mundo.
Lembro bem do toque
E não esqueço do quanto era
Pele macia
O quanto foi curto o tempo
E como eu te senti.
Não lembro do seu rosto, seu cheiro,
Seu gosto, seu som, mas lembro bem do seu toque.
Não esqueço.
Fecho os olhos e amanheço em seus braços
Nenhuma lágrima caiu por você
Mas meu peito já doeu.

Marcela Reinhardt

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